Mãe pula em poço para salvar filho
Um garoto de sete anos foi salvo pela mãe de morrer afogado em um poço nesta segunda-feira em Franca, no interior de São Paulo. Gabriel Marcos Campos caiu no reservatório de água de aproximadamente quatro metros de profundidade enquanto sua mãe, Maria Jerônima Campos, 36 anos, pegava água de uma mina próxima ao local.
Após momentos de pânico, Maria Jerônima pulou no poço e retirou o garoto com a ajuda de moradores. Gabriel e a mãe passam bem.
Abaixo, as fotos do resgate.
Nem vou entrar no mérito da irresponsabilidade (apesar do “heroísmo”) da mãe por ter levado o filho pequeno que - aparentemente - não sabia nadar para perto de um poço cheio d’água, mas me tirem uma dúvida. Por que o fotógrafo preferiu continuar de longe acompanhando ao invés de ir ajudar no resgate? Será que fotos da morte de uma criança por afogamento iam dar mais ibope?
Anotando os créditos das fotos, e fuçando um pouco a ferramenta mais demoníaca do Google (vulgo Orkut), foi fácil encontrar o perfil do fotojornalista, morador de Franca e autor das referidas fotos. Depois de pensar por alguns instantes que o Google vai mesmo dominar o mundo, começo a ler o seu texto do item “Quem sou eu”, aonde todo orkuteiro egocêntrico adora encher a própria bola (e os mais desocupados adoram colocar aqueles desenhos em formato de texto que dificilmente serão decifrados), e me deparo com a seguinte citação:
” …O olhar, o ângulo, a luz, o momento…
…sensibilidade, emoção e principalmente paixão!”
Isto é ser fotojornalista.
Caro aproveitador barato, deixar de auxiliar no resgate de uma criança para seu nome aparecer na capa do Terra, Uol, Globo e afins NÃO pode ser chamado de paixão, e preferir uma pseudo-fama no meio jornalístico a poder dormir com a consciência tranquila sabendo que fez de tudo para salvar uma vida certamente não pode ser chamado de sensibilidade.
Você mesmo diz em seu álbum, na legenda da 1ª das 12 lindas fotos: “A razão de toda minha felicidade, meu filho”. Agora imagine se fosse ele dentro do poço no lugar do pobre Gabriel… O que você pensaria de uma pessoa que se aproveitasse da situação para tentar subir na profissão, ao invés de fazer de tudo para ajudar a salvar o seu filho?
Exatamente, é isso que eu penso de você.
[Update 1]: Conferindo a notícia no site do próprio jornal para qual o dito cujo trabalha:
“Ela ficava na superfície por um tempo, depois afundava”, lembrou o motorista do Comércio, Wilson Batista de Moura, que estava no local antes de acontecer o acidente, acompanhando o repórter-fotográfico Tiago Brandão, que fazia fotos da bica. Wilson e mais um homem que aguardava para levar água ajudaram a retirar Gabriel e a mãe do poço.
Só pra complementar o comentário #5, do Felipe Junges. Não é só lixeiro, motorista também serve.
[Update 2]: Passou no Jornal Hoje de hoje uma entrevista com a mãe. Assim como o filho, ela TAMBÉM não sabia nadar. E o motorista acima citado também foi entrevistado, e disse que se sentiu obrigado a ajudar, ainda mais porque também tem filhos.