Porque eu sou contra a reforma ortográfica 2


Ambiguidade é o hype
 
Duplo sentido nunca é demais, já pensava um humorista nordestino na hora de reciclar o cast de piadas. Eu recebo a revista VIP (não sou assinante, apenas recebo pois sou uma pessoa muito influente) e na edição deste mês, todos textos seguem as novas regras ortográficas. Lá pela página 122 me deparo com isso:
 
para.jpg
 
Após o susto que levei com o leading mal feito, voltei minha atenção para o que estava escrito. Pensei que, neste artigo, o Keanu Reeves enumeraria os motivos de sua descida no planeta Terra. Sei lá, ele desceu para avisar a galera do planeta que a coisa vai ficar feia ou para que o mundo fosse melhor. Mas não, só depois de ler o artigo que a ficha caiu. O título dos respectivo texto é “PÁRA QUE EU QUERO DESCER“, porra, do verbo PARAR.
 
A ambiguidade nesse caso não é solucionada pelo contexto da sentença. O que já serve para provar que esse acordo ortográfico não nos ajuda em nada. Pode ser que ajude os outros países que fazem parte dele, tipo a Ruana, a Aidslândia ou o Ziliguistão, sei lá. Mas, francamente, eu to nem aí pra esse povo. Metade deles vai morrer nos próximos 5 anos e a outra metade não sabe ler.

 
Por isso o nome do acento era DIFERENCIAL. Porque ele servia para DIFERENCIAR duas coisas escritas da mesma maneira, mas com sentido DIFERENTE.
 
Mas pelo jeito estamos fazendo tempestade num copo d’água, e as regras são boas e não tão difíceis assim. Se até o Keanu Reeves conseguiu aprender, a gente tem obrigação né?

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  1. #1 by Kaqui on 20/01/2009 - 12:39

    Sei não… mas creio que para a outra interpretação ser possível a frase seria “Para quê quero descer”. Ou estou a confundir alhos com bugalhos??? o.O

  2. #2 by Hyd on 20/01/2009 - 13:12

    Na verdade eu acho que o erro está na falta de uma vírgula ou ponto.
    “Para! Que eu quero descer.” ou “Para, que eu quero descer.”
    De qualquer formar, péssima escolha de palavras.

  3. #3 by Renato Uchoa on 20/01/2009 - 13:16

    O verbo parar no imperativo não seria “Pare” ?

    Ex.: “Pare que eu quero descer”

    Não vi a ambuquidade.

  4. #4 by poliana bonze on 20/01/2009 - 14:04

    Pois é….mexem tanto nesse nosso idioma que daqui a pouco vai estar um confusao só….é tanto y, w, e acento caindo por ai que ando ate com medo de cair um acento agudo na minha cabeça ao sair de casa para trabalhar…rs.
    Mas o comentario mesmo surgiu por dois motimos….
    Primeiro, gostei da critica….inteligente e dinamica…como todas deveriam ser…
    Segundo….Ambiguidade é necessario simmmmmmmmmmmmmmmmm…..
    Sempre sera…nas piadas….nos poemas…nas criticas….na boa e velhar ironia de sempre…..
    Valeu por me proporcionar uma boa leitura…ate mais

  5. #5 by Diego Camara on 20/01/2009 - 14:14

    Falou tudo!

    A reforma ortográfica é útil? Sim. Para nós? Nem um pouco.
    Apenas vamos criar um monte de problemas com esta reforma, mas como o país está ganhando não tem problemas, não é mesmo?

    Esta manobra política para fortalecer a lingua portuguesa com uma unificação, tentar torna-la oficial nos orgãos políticos internacionais como a ONU e a OMC. Isto é útil para nós, facilitaria a comunicação com grandes entidades e também a influência do Brasil, o único país com poder político/econômico que fala português.

    Mas e o custo desta manobra? Será que ela vale as perdas que teremos com a educação da nossa população? Com a criação de mensagens ambíguas e confusas? Realmente eu não sei se este é o caminho mais inteligente.

    Particularmente eu nem tenho ideia de qual país de lingua portuguesa esqueceu os acentos diferenciais das palavras, e não consigo imaginar como eles se viram sem eles.

  6. #6 by Thy on 20/01/2009 - 15:09

    Até agora não ouvi falar de nenhum beneficio _pra leitores_ não. Não vai me ajudar em nada a ler português de Portugal.

    O merda dos ‘x’, ‘s’, ‘ss’, ‘z’, ‘c’, e ‘ç’ que deveriam ser padronizada/harmonizada(?) não foi. Só criaram mais regras ortográficas que desobedecem outras regras. Devem gostar de pegar bicha pra comer o cacetinho de cada dia.

  7. #7 by Douglas F. on 20/01/2009 - 16:54

    Bom, acho que nesse caso o problema nem é tanto o acento. Seria mais simples escrever com vírgula: “Para, que eu quero descer”. Com ou sem acento fica fácil de entender assim.

    De vez em quando também me deparo com coisas que tenho que ler mais de 1 vez para sacar o novo significado, mas acho que a reforma ortográfica está longe de ser o fim do mundo como muitos – não necessariamente você – a tratam.

  8. #8 by Nibelung on 20/01/2009 - 19:50

    Homófonos que ao mesmo tempo são homógrafos. Que coisa linda. Uma novidade da nova ortografia.

  9. #9 by Estela on 20/01/2009 - 19:57

    Cara, concordo plenamente que esse acordo ortográfico é ridículo!!!
    Sou totalmente contra! Mas alguém, por acaso, perguntou pro povo? Ou, pelo menos, pros alfabetizados???
    Temos que engolir e reaprender a escrever. Taí uma coisa que acho que não vou conseguir!

  10. #10 by MVinicius on 20/01/2009 - 20:34

    Humm, mas acho que nesse caso, o outro sentido da frase teria um acento circunflexo:

    Para quê eu quero descer

    Algum professor/revisor para nos ajudar nessa?

  11. #11 by Mytho on 20/01/2009 - 23:37

    Reforma de cu é rola. Vou continuar escrevendo “pára”. Cada um com seu cada qual. Eu sei que meus professores de português não se importariam com essa minha atitude. Se eles aprovam é porque está certo =P

  12. #12 by Cainã Costa on 21/01/2009 - 09:05

    Eu consegui entender normal.
    Não vejo problema nenhum na dita frase, também.

    Além do que, acho que se fosse “Para(não sendo verbo) que eu quero descer”, o “que” teria acento circunflexo, se tornando “quê”.

  13. #13 by Ramon Machado on 21/01/2009 - 11:24

    Eu acho que faltou uma vírgula ou um ponto de exclamação depois do “para”. Ficaria mais fácil de entender.

  14. #14 by Nina* on 21/01/2009 - 22:58

    Não sou professora, mas acho que na frase faltou, de fato, uma vírgula. Temos aí a tal da oração coordenativa explicativa “Para, que (porque, pois) eu quero descer”.
    O “que” acentuado caberia apenas se este fosse usado na final da frase: “Eu quero descer para quê?”
    Sobre a forma no verbo imperativo o correto é mesmo “para” e não “pare” como foi dito em um comentário anterior.

  15. #15 by Nina* on 22/01/2009 - 12:18

    Ah, e só pra lembrar: Jamais trema em cima da linguiça!

  16. #16 by Judy on 23/01/2009 - 13:45

    Que eu saiba, a vírgula não caiu nessa reforma…

  17. #17 by Maldito on 24/01/2009 - 11:20

    O problema é que tem uma regra na língua portuguesa que diz que não se pontua títulos… da mesma forma que tem uma que proíbe o uso de verbos em títulos.

    Mas, como ninguém respeita a segunda (inclusive essa reportagem), realmente… podiam botar uma exclamação… mas no final do Título… tipo: “Para que eu quero descer!”

  18. #18 by Judy on 24/01/2009 - 18:19

    Pô, e eu achava “Amar, verbo intransitivo” um título e tanto…

  19. #19 by Mariel on 25/01/2009 - 03:04

    A reforma ortográfica foi feita para os preguiçosos que dormiam nas aulas de português e não sabem, até hoje, como escrever corretamente… será essa a tal da “ambuquidade” citada acima?. Em vez de ensinar direito, resolveram ‘mudar’ o certo!
    Os demais países (ou regiões) que falam o português se dispuseram a seguir Portugal; mas Portugal se recusa a aceitar uma parte significativa das mudanças! Consequentemente (sem trema), tudo leva a crer que a ‘reforma ortográfica’ vai ‘atrapalhar’ apenas o Brasil! E gerar lucro para as editoras que estão reimprimindo tudo!
    É muito bom (e bonito) escrever e ler corretamente o nosso idioma. Eu só lamento que a maioria do nosso povo nem tem ideia (sem o agudo) do que estão fazendo com a nossa língua pátria. Sim, desde o dia 1º tenho me adaptado às novas regras, sem querer parecer um desses lusófonos fanáticos que veem (sem circunflexo) problemas demais em mudanças.
    Em resumo, não gostei da reforma… mas sei que devo acatá-la enquanto ela vigir — talvez, para sempre!
    Me resta deixar um recado: “Linguistas, tremei!”

  20. #20 by sanjio on 1/07/2009 - 19:27

    a refoma e uma vergonha
    par q eles els tem preguça
    de astudar vai tamar no cú

  21. #21 by Cícero José on 3/07/2009 - 18:20

    Argumento fraquíssimo contra a Reforma! A “ambiguidade” simplesmente não existe! “Para, que eu quero descer” é uma coisa. “Para que eu quero descer” é outra, Ou doravante se escreverá: “Sorria você está sendo filmado”, e não: “Sorria, [que] você está sendo filmado”? Que eu saiba, a Reforma Ortográfica não eliminou a vírgula.

  22. #22 by Miguel Silva on 8/03/2010 - 00:54

    Isso me lembra certa vez que um professor contava que ao ir a uma alfaiataria, cujo nome na porta era “Aguia de Ouro”, fez questão de elogiar o belo nome… quando então o mesmo lhe disse que não era o animal águia, mas o instrumento “agúia” (agulha) com o qual costurava… . Agora que não temos mais o trema, quem nos orienta quando pronunciar ou não o “u”?; então, logo uma águia poderá virar uma “agúia”… e o conto pode perder a graça…

  23. #23 by Gabriella Magalhães on 16/06/2010 - 15:18

    Eu acho essa nova reforma uma verdadeira falta de necessidade. Pois nos acostumamos com uma regra e logo vem outra para nos complicarmos.

(não será publicado)