Mai 08 2008
A propaganda é a alma do negócio…
A Revolta da Catraca foi um movimento ocorrido em 2005 contra o aumento do valor das passagens de ônibus, liderado pelos “estudantes universitários” aqui de Floripa. Durantes vários dias, foram realizadas passeatas em diversas áreas da cidade, inclusive com o fechamento das pontes que dão acesso à Ilha.
Confrontamento direto dos revoltosos com a polícia instauraram o caos na cidade, e quem não queria correr o risco de levar uma bomba de efeito moral na orelha ou um tiro de bala de borracha na barriga acabou tendo que obedecer um informal “toque de recolher” no final das tardes daquela semana.
O vídeo abaixo dá uma idéia parcial de como estava tenso o clima naquela época:
Muitos congestionamentos, atos de vandalismo e prisões depois, as empresas de transporte coletivo e a prefeitura encontraram uma maneira de não aumentar imediatamente o preço das passagens, o que acalmou os ânimos de todos. De qualquer maneira, de lá para cá, as passagens de ônibus ficaram mais caras por diversas vezes, mas dessa vez aos poucos, e sem revolta da população.
É aquela velha história: se você jogar um sapo numa panela de água fervendo, ele vai pular pra fora na hora. Mas se você colocá-lo numa panela de água fria, e ir esquentando aos poucos até ferver, o sapo vai morrer cozido sem nem perceber…

“Hummm… mal-passado!”
Neste momento você deve estar comparando esses vândalos acima com os Caras-Pintadas, ou com os integrantes do movimento Diretas Já, ou ainda com o movimento estudantil que arriscou a vida atazandando a vida dos militares durante os anos de didtadura? Não, nesse caso a situação é bem diferente:

Passe livre pra quê? Ligue pro Zezinho e compre o seu baratinho, baratinho!
Isso mesmo, o cara fez um cartão de visita para divulgar o serviço que ele presta, mesmo sendo este serviço ilegal. O caminho é simples: 1) o “estudante” compra o passe por metade do preço; 2) o “cambista” compra o passe do estudante pagando 60% do preço original; 3) e revende ao usuário final por 75% do preço original. Todos saem ganhando nessa putaria, menos as empresas de transporte coletivo, que são obrigadas a aumentar os preços das passagens para minorar o prejuízo.
Como é muito comum em nosso país, uma maioria honesta acabado literalmente pagando por atitudes de uma minoria metida a espertalhona. Então, anarco-chatos (tipo esse da novela), que tal direcionar seus protestos contra iniciativas ilegais desse tipo, ANTES de saírem destruindo propriedade alheia e atrapalhando a vida dos outros?
Posso estar sendo radical demais por raramente ter que andar de ônibus, então vou perguntar pra você que tem que tem que se apertar todo dia nessas latas de sardinhas humanas. Qual a sua opinião sobre o assunto? E Becher, lembra dessa?
Folclore da Bola, blog do melhor goleiro do país



Da série “Fio a Estagiária” (será?)
“Posso estar sendo radical demais por raramente ter que andar de ônibus, então vou perguntar pra você [b]que tem que tem que[/b]? se apertar todo dia nessas latas de sardinhas humanas. Qual a sua opinião sobre o assunto? E Becher, lembra dessa?”
[melo]: Fio?
Me lembro bem dessa palhaçada…
Concordo que devemos protestar contra o que achamos errado, mas o que eles fizeram foi baderna. BADERNA.
Como fica a população que precisa ir e vir para o trabalho?! Como ficam as diaristas por exemplo, que perderam dinheiro pois não tinham como ir trabalhar, ou pior, que não tinham como voltar para pegar os filhos na creche, pq a ponte tava fechada?!
Estudantes preocupados com o aumento eram poucos… A maioria era de estudante querendo matar a aula e ser “um cara socialmente engajado”, ao melhor estilo tropa de elite (que na época nem existia, que fique claro..).
Isso foi uma palhaçada, e dou razão aos donos das empresas de transporte público, não foi a passagem deles que subiu de mais, foram os salários que subiram de menos…
Protestem contra isso. Isso sim, vale um belo protesto…
Mas parece que eles querem ser burros, e nivelar tudo por baixo!
Eu fico PUTO cada vez que lembro desse episódio de merda!
Bem, não está completamente errado mas também não está completamente certo.
Aqui na minha cidade esta situação se resolveu. A empresa responsável pela venda de passagens de ônibus criou um cartão para cada estudante. Apenas quem possui carteira de estudante pode obter o cartão e recarregá-lo. Isso resolveu esse problema. Agora, vem a escrotagem das empresas de transporte coletivo: Como transporte coletivo é uma CONCESSÃO PÚBLICA e não um negócio em si, a margem de lucro das empresas é fixado pela prefeitura. Quando foi criado o sistema de cartão o lucro das empresas de transporte subiu para muiiiiito acima do índice fixado. E as empresas mantiveram o mesmo valor e, meses depois, ainda AUMENTARAM!
É por esse tipo de coisa que qualquer pessoa que defende empresa de ônibus coletivo ou não sabe de nada que acontece nos bastidores, ou tá recebendo algum por fora.
[melo]: Não estou defendendo as empresas, estou discordando do tipo de protesto que foi feito pelos - como disse o colega do comentário anterior - BADERNEIROS. Se alguma coisa está errada, não justifica que erremos também.
aqui em Porto Alegre os VTs de estudante tem uma cor diferente e ainda eh obrigatoria a apresentacao da carteirinha no onibus.
e o cobrador anota o número.
ja estão implantando un sistema de leitura do cartao para hagilizar esse processo.
sendo assim nao tem como o estudante vender os VTs pois quem comprar precisa ter uma carteirinha valida.
e as carteirinhas tem varias cores.
todas elas mudam de cor uma vez por ano.
e para estudantes de faculdae eh necessário renovar o cadatro no inicio do semestre.
o bom eh que quem faz um curso temporario de 2 ou 3 meses em uma instituição reconhecida tb pode pegar vt de estudante, mas só pelo periodo do curso.
tudo muito bem organizado.
Eu não sei de onde o Antônio Flávio é… mas aqui em Sorocaba, fizeram a mesma coisa: usaram cartões. O primeiro cartão é gratuito. Se o cara perder ou quebrar, tem que pagar. Como faz muito tempo que eu parei de estudar, na minha época eram R$ 17,00.
Esse problema dos cambistas é o mesmo problema que foi descrito na Papo de Homem pelo Thiago Oshiro Campi, sobre as seguradoras. O boyzinho bate o carro, o seguro dá outro, vende a sucata, o pobre encomenda no desmanche, o desmanche encomenda no ladrão e assim vai…
Quanto aos protestos, eu estudei na FATEC, uma faculdade estadual aqui de São Paulo, que já teve um nome muito bom, mas agora está na bosta. Na época, o governo queria instaurar um negócio chamado Ensino Modular. Não vou detalhar muito, mas era uma merda. Não vi direito como eram os protestos aí, pq esses vídeos feitos pelos protestantes são sempre tendenciosos e só mostram eles apanhando da polícia. Mas aqui, a gente fez um negócio direito, colhendo assinaturas, atrapalhando o trânsito, mas não parando totalmente (imagine que sua mãe acaba de infartar… um cara de ambulância vai precisar de espaço para os carros desviarem para poder passar), fazendo silêncio em frente a hospitais e reprimindo eventuais baderneiros que tentavam tumultuar o movimento.
O mais legal veio depois: tivemos apoio da população, da Polícia (que se propôs a nos acompanhar nas manifestações para evitar imprevistos) e de todo mundo (menos da prefeitura, que era do mesmo partido do governo de SP - o PSDB).
Aqui em Sorocaba, nós barramos o ensino modular, e eu sei que abriu uma outra FATEC numa cidade vizinha (Itu), também sem o ensino modular.
Protesto não tem que ter violência. Só tem que conscientizar a população.
Concordei com quase todo o protesto, Maldito, menos uma coisa: “atrapalhando o trânsito”.
Como o protestante espera ganhar o apoio da população, se está influenciando negativamente em sua vida? Todo mundo já vive estressado no trânsito, centenas de estudantes caminhando na faixa central não deixam ninguém mais feliz.
PROTESTA NA CALÇADA, PORRA!
Melo, 1 x 1 hehehehe
Então Melo, a gente atrapalhava, pro pessoal sentir que o problema afetava a todos. Mas mesmo assim, ninguém deixou de assinar. Enquanto eu estive colhendo assinaturas, teve umas três pessoas que não assinaram por medo e uma metida a engraçadinho que disse que FATEC era escola de pobre. Aí eu mandei o cara ir tomar no cu e disse que ele não ia ter capacidade nem de cursar uma particular.
Mas a população apoiou… Tirando esse otário, mais ninguém foi contra o nosso protesto. Porque tipo… atrapalhamos, mas não paramos.
VA com notícia de conscientização pública! Gostei de ver
Eu lembro que na época Floripa ficou um caos! Todo final de tarde era confusão pelas ruas e quem se arrombava era a população.
Discordo do André, quando disse que a maioria dos que estavam na rua eram estudantes querendo matar aula. Tenho certeza que a maioria dos que estavam lá fazendo baderna nem estudantes eram, e sim pessoas da oposição do governo manipulando os estudantes para desmoralizar a prefeitura.
Sempre achei que a manifestação que ocorreu na época foi feita de forma errada! A polícia deu porrada? Claro que deu, e se deu foi por estar exercendo seu trabalho de reprimir a manifestação de uma minoria que estava atingindo diretamente a liberdade de ir e vir de toda uma sociedade que estava simplesmente tocando sua vida e não tinha nada a ver com a história.
E quem garante que esses mesmos estudantes que fizeram manifestação não vendiam seus passes para o tiozinho ali do cartão de visita???
Olha… tem essa putaria do compro-vendo-passe que ajuda a tarifa a aumentar, além dos próprios custos inerentes do transporte público. Mas isso é cultura do povo, porque de forma análoga muita gente falsifica e paga meia entrada no cinema e uma boa parte da população, já formada, mas não rica, se quiser ir no cinema tem q pagar uma fortuna…. e dá-lhe ser esperto!
Melo,
primeiro te peço desculpas pela demora em responder o teu questionamento. Já tinha visto o link, mas passei por uma semana meio off-line. Agora faço-o com a devida atenção.
Primeiramente, a gente precisa separar QUEM É QUEM na história da “revolta da catraca”. Quem de fato ali PAGA pelo transporte. Uma pequena parcela daquela gente (se é que dá pra chamar um monte de vagabundos reunidos fazendo baderna de gente) estava de fato protestando. A grande e esmagadora maioria estava ali por um sentimento-socialista-solidário querendo fazer arruaça, matar aula e aparecer no Bom Dia Santa Catarina.
Essa grande maioria não trabalha pra pagar o ônibus, quem o faz são seus pais que mal sabiam onde os santos “pimpolhos” andavam. Aquela corjinha que estava lá, querendo o patrimônio alheio numa forma MEDÍOCRE de protesto, provavelmente não tinha nada melhor pra fazer. Se trabalhassem todos os dias, seis ou oito horas de jornada diária, saberiam que o tempo é escasso demais pra ficar gritando contra um vento-sul contrário sem qualquer efeito moral ou cívico.
Se alguém tiver dúvida do que eu estou falando, sobre eles não pagarem passagem ou não sentirem drasticamente os rendimentos irem para o ralo com o valor do ticket, é só ir numa quarta-feira a noite no estacionamento da UFSC (pública) e ver quantos FUSCAS e FIATS 147 têm por lá. Certa feita eu fiquei com vergonha de estacionar meu Gol Bola 96′ ao lado de tanto carro 0km, quando fui no centro de convenções da federal.
Há anos este país sofre o efeito que muito bem ilustraste, o de cozinhar o sapo. Mas desde 2004 que essas coisas começaram a ficar escancaradas na TV (começando pela CPI dos Correios) e o que estes nobres vagabundos, filhinhos-de-papai de uma figa estão fazendo? Nada. Eles continuam pegando suas mesadinhas, botando cinquenta pila de gasosa no carro do pai e enchendo a cara numa balada qualquer enquanto a vida segue.
Foi um movimento sem critério nenhum, por isso não resultou em NADA. O preço dos combustíveis tem aumentado vertiginosamente. Esta semana mesmo foi mais um pouco. As empresas precisam escoar esse custo em algum lugar, pois ao contrário do que se pensa, os salários dos motoristas e cobradores NÃO são pequenos, muito embora eles também façam greves de vez em quando.
Por quê então que esta corjinha não vai protestar contra os abusos do governo, contra o nosso molusco-mór? Porque isso não mata aula, porque isso não tem dado audiência nem justifica vandalismo (por enquanto).
Eles precisam parar de vagabundear um pouco e LER jornais sérios, revistas de qualidade (esqueçam a Veja!) e — por que não? — blogs de política. Em uma semana eles aprendem quem de fato é responsável por isso tudo que tem acontecido no Brasil e aí, sim, vão começar a dar valor a um protesto muito mais valioso e eficiente: o das urnas, que muitos deles acaba trocando por um fim-de-semana na praia ou na fazenda, justificando o voto, é claro.